Relaxa, governador Tarcísio, agora já foi.

A violência policial no Estado de São Paulo superou todos os índices até então divulgados. As mortes decorrentes da ação policial registraram um aumento expressivo em 2024 e 2025, atingindo os maiores níveis em uma década.
Especialistas apontam que a letalidade policial em 2025 alcançou o maior patamar sob a gestão atual, revertendo quedas observadas em anos anteriores. Dados indicam um crescimento que supera índices passados e lidera as altas no Brasil. Quem mais sofre é a população negra.
Por ocasião da matança da chamada Operação Verão no litoral paulista, o governador Tarcísio de Freitas afirmou “estar tranquilo com o que estava sendo feito e que podiam ir à ONU, Liga da Justiça, o raio que o parta que eu não estou nem aí”. Posteriormente, o próprio governador admitiu arrependimento em relação à sua posição contrária ao uso de câmeras corporais, reconhecendo hoje que o equipamento atua como fator de contenção — ainda que limitado — e, sobretudo, como instrumento de esclarecimento e maior precisão na apuração dos fatos.
É governador, Thawanna da Silva Salmázio, 31 anos, já foi — mas não será a última vítima dessas atrocidades. Também é de se lamentar que a jovem policial de 21 anos que efetuou o disparo terá sua vida igualmente marcada pelo ocorrido. Como destaca a professora Joana Monteiro, é o policial da ponta que acaba sofrendo diretamente as consequências, ao ser responsabilizado criminalmente. Enquanto isso, persistem falas de autoridades — leia-se governador e secretário de segurança — muitas vezes demagógicas, voltadas a agradar a tropa e alimentar discursos simplistas baseados na lógica do “prendo, arrebento e mato”.
A violência nunca foi solução para os problemas sociais, muito menos para a marginalidade. Não faltam evidências que comprovem essa realidade. Mais grave, porém, é ouvir declarações como “eu me arrependo”, “eu não sei”, “eu não tenho certeza”, “eu estava enganado”. Isso evidencia despreparo para ocupar um cargo de tamanha relevância no maior estado da federação.
É governador, relaxa. O senhor nem chegou a ser. Agora já foi — e nem precisa pedir para sair. São Paulo merece mais. Coluna Opinião Ponto Público


